Já disse isto aqui algumas vezes, mas após assistir a Dr. Linus, sétimo episódio da última temporada de Lost, me sinto obrigado a repetir: Michael Emerson TEM que ganhar um Emmy já! Seu desempenho neste episódio foi simplesmente sensacional, aliás, todo o episódio foi magnífico, tanto na ilha quanto na realidade paralela, elevando ainda mais a média de uma excepcional temporada.
Ben sempre foi um dos mais complexos personagens de Lost, ou de qualquer série de TV. Acreditando fazer o bem maior (proteger a ilha), ele mentia, manipulava, matava e enganava e durante este processo ele sucumbiu à tentação do poder. Isto o transformou em um ser frio e calculista, quase desprovido de emoção, o que o levou a ser diretamente responsável pela sua própria filha, a única pessoa por quem ele realmente sentia algo.
É engraçado notar que o chamado “mestre da manipulação” seja tão facilmente influenciado. Na ilha o Falso Locke aproveitou de seu momento de fraqueza para convencê-lo a matar Jacob, na realidade paralela, bastou apenas uma sugestão de verdadeiro Locke para que Ben se dispusesse a destruir a carreira de outro homem.
Por falar na realidade paralela, este foi, sem sombra de dúvida, o melhor flash-sideway até agora. Descobrimos que a Iniciativa DHARMA esteve de fato na ilha nos anos 70 e que Ben e seu pai chegaram a fazer parte da mesma mas foram obrigados a deixar o local. Isto indica que a explosão da bomba de hidrogênio foi realmente o catalisador que fez com que os eventos tomassem rumos diferentes. Ainda nos flash-sideways, descobrimos um Ben muito mais sensato e passional. Mais uma vez disposto a fazer a coisa certa, ele quase é corrompido pelo poder, mas resiste em nome do bem maior, aqui representado pelo futuro de Alex Rousseau (cadê a mãe dela?).
Os eventos nesta outra realidade fazem uma trágica rima com o que acontece na ilha, já que Ben revela para Ilana que sua dor e arrependimento por ter causado as mortes de sua própria filha e de Jacob. E pela primeira vez de que apareceu na série lá na segunda temporada ainda com o nome de Henry Gale, não questionamos a veracidade de suas palavras ditas entre lágrimas. Sabíamos que Ben estava realmente machucado por tudo o que lhe aconteceu e se sentia sozinho e rejeitado, chegando a dizer que só lhe restava juntar-se ao Falso Locke, já “ele era único que [o] aceitaria”.
Felizmente, não só os momentos protagonizados por Ben foram bons. A tensa cena entre Jack, Hurley e Richard Alpert foi importantíssima para toda a série. De uma só vez ela esclareceu dois mistérios e definiu o arco dramático daquele que é possivelmente o personagem principal de Lost. De forma sutil, tivemos confirmação de que Alpert chegou à ilha através do navio Black Rock e que sua imortalidade foi um dom concedido por Jacob (aparentemente através do toque), mas algo me diz que iremos revisitar tais respostas em breve. No entanto, o momento mais importante foi aquele em que Jack, inicialmente um cético que ridicularizava a fé cega de Locke, se revela um crente fervoroso no conceito de destino ao arriscar própria vida para confirmar que Jacob criou plano para ele.
Já o submarino de Widmore é a chave de ouro que veio fechar o melhor episódio da nova temporada até agora e um dos melhores de toda a série. Dr. Linus redimiu aquele que por um bom tempo foi o grande vilão de Lost e o fez de maneira exemplar, em um episódio repleto de simbolismo e emoção.
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Jack sempre foi e continua sendo meu personagem favorito em Lost. É verdade que por uma boa parte da quinta temporada o médico se mostrou um tanto quanto chato e irritante, mas simplesmente não consigo entender aqueles que dizem que Jack “é o pior personagem da série” e que desejam sua morte. Portanto, foi com grandes expectativas que fui acompanhar Lighthouse, o mais recente episódio de Lost, que não somente foi centrado no meu personagem favorito, como também foi escrito pela dupla de produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof e dirigido por Jack Bender, time que geralmente é escalado apenas para season premieres, finales e episódios marcantes. Além disto, este é o episódio de número 108, o que se revela uma elegante referência à mitologia da série.